17/10/2024
É comum mães que sofreram abortos precoces ouvirem "mas você é nova, logo tem outro"; "ainda bem que não deu tempo de vc se apegar" ; "Deus sabe o que faz" , "mas era só embrião" ; "mas você já tem filho". A sensação é de que as pessoas minimizam esta dor e se esquecem de que a maternidade começa com o exame positivo, junto com a alegria, expectativas, programação do casal e das duas famílias. Ainda que não tenha sido planejada, a gestação inicial modifica (e muito) o corpo e a mente da mãe e esta mudança brusca de planos gera uma marca na vida dela para sempre. A impressão que dá é de que as pessoas mais facilmente se compadecem com as mães que perderam seus filhos após pouco tempo do nascimento ou ainda no ventre, mas em idade gestacional mais avançada, por esta mãe ter sentido a movimentação fetal, os chutes, ter visto (ou não) o rostinho, os traços, as mãozinhas, a roupinha da maternidade, os mimos, o berço, um parto para não ouvir o choro da criança, o velório e outras lembranças bastante difíceis de organizar na memória. A dúvida sobre a causa da morte é perturbadora, igual à pergunta "o que poderia ter sido diferente?". Infelizmente, agora quase nada pode ser feito, além de agur com respeito. Não há como acalentar estas famílias. A dor é imensa em qualquer das situações. O que se pode fazer neste momento, enquanto equipe é oferecer privacidade, silêncio, se quer ver o feto ou bebê. Ouvir, ligar (caso não possa estar presente), fazer uma visita depois de um tempo, oferecer ajuda (com os afazeres, demais filhos e burocracias do velório), sempre se lembrar deste bebê e dizer o nome dele com carinho; Que a gente não se esqueça do pai, que também está sofrendo. Evitar comparações e palpites sobre uma próxima gestação, já que o tempo é diferente para cada um de nós. Dê um abraço para dizer as palavras que nos faltam neste momento. Faça uma prece, para os pais, para o Anjo e para Deus, nos ajudar a entender e a nos conformar com as vontades Dele, com a insignificância da nossa vontade terrena perante à vida, com o Tempo de Deus e nos ajudar a continuar confiando, sem cansar. Outubro - mês da conscientização da perda gestacional e neonatal.