19/05/2025
Me Chamo Rose , e Esta É Minha História com a Dor
Eu não lembro exatamente quando tudo começou. Às vezes, acho que foi depois da terceira gripe que não passava, ou talvez depois daquele tombo bobo que dei no quintal ou após o РАΝDЕМIА DО СОVID-19.
Só sei que, um dia, acordei com dores no corpo — e nunca mais deixei de senti-las.
No começo, pensei que era só cansaço. Afinal, trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, da vida... tudo pesa. Mas o peso que eu sentia era diferente. Era como se eu carregasse um cobertor molhado nas costas, todos os dias. Os médicos diziam que era estresse, que eu precisava relaxar. Mas como relaxar quando até respirar doía?
A fibromialgia chegou com a sutileza de um furacão: dores por todo o corpo, cansaço que não passava com descanso, sono que não restaurava nada. A artrite foi piorando minhas articulações, e a artrose transformou meus joelhos em areia moída. Cada degrau se tornou uma montanha. Cada tarefa simples — pegar uma panela, escrever no celular, até pentear o cabelo — virou um desafio.
As pessoas ao meu redor pararam de entender. “Você parece normal”, diziam. “Mas você tá sempre doente?”
A dor invisível é cruel. Ela te destrói por dentro e ninguém vê. E quando ninguém vê, ninguém acredita. Eu comecei a duvidar de mim mesma.
Fui me apagando. Parei de sair, de me arrumar, de sonhar. Os remédios ajudavam um pouco, mas vinham com seus próprios castigos. Vivia dopada, cansada, com a cabeça longe e o corpo preso. Eu era uma sombra do que fui um dia.
Teve um tempo em que a esperança me abandonou. De verdade. Acordar era um castigo. Eu pensava: “Se a dor é tudo o que me resta, então pra que continuar?”. Não era drama. Era desespero.
Hoje, eu ainda sinto dor. Todo dia. Mas, aos poucos, estou tentando encontrar algum sentido no meio disso tudo. Uma conversa com alguém que entende, um dia em que a dor é um pouco menor, um abraço de quem acredita em mim — pequenas fagulhas. Ainda não posso dizer que venci. Mas estou aqui. E, talvez, só isso já seja alguma forma de vitória.