17/08/2026
Uma roupa que não veste “corretamente” está necessariamente mal modelada?
Quando aprendemos modelagem, aprendemos também uma série de regras sobre bom caimento, proporção, construção e acabamento.
Mas o que significa, afinal, uma roupa vestir bem?
No livro Patternmaking, encontrei uma discussão interessante sobre essa questão. O autor lembra como, a partir dos anos 1980, designers japoneses como Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, começaram a tensionar algumas das fronteiras entre aquilo que era considerado certo e errado na construção de uma roupa.
Bordas sem acabamento, assimetrias, volumes inesperados e outras soluções que poderiam ser entendidas como problemas passaram a fazer parte deliberadamente da linguagem das peças.
Mas isso não significa que qualquer erro possa ser chamado de escolha estética.
Uma coisa é não saber fazer. Outra é decidir fazer diferente.
Uma sobra de tecido pode ser consequência de um problema de modelagem. Ou pode ser justamente o volume que se queria construir.
Uma assimetria pode ser um acidente. Ou pode ser o projeto.
E é aí que o conhecimento técnico se torna ainda mais importante: quando entendemos por que uma regra existe e o que ela produz, ganhamos repertório para decidir conscientemente quando segui-la, transformá-la ou rompê-la.
Talvez, então, em vez de perguntar apenas:
“Essa modelagem está certa?”
possamos perguntar:
“Essa modelagem consegue produzir aquilo que essa roupa pretende ser?”
O que você acha: onde termina o erro técnico e começa a escolha estética?