25/07/2026
Mais uma vez volto a falar sobre precificação. E não me vou cansar de abordar este tema, porque acredito que educar o mercado também faz parte do nosso trabalho.
Muitas vezes, o problema não é falta de interesse em comprar, mas sim a desinformação.
Os vestidos que estão nestas imagens pertencem ao estilo que popularmente conhecemos como “vestidos nigerianos”. E é importante que saibam que peças como estas, na maioria dos casos, não custam 100.000 Kz, nem 150.000 Kz.
De forma geral, um vestido deste nível começa, em média, nos 250.000 Kz. A partir daí, pode custar 280.000 Kz, 300.000 Kz, 400.000 Kz, 500.000 Kz, 700.000 Kz ou até ultrapassar 1.000.000 Kz.
Isso não significa que todos os vestidos das imagens tenham exatamente esse preço. O valor depende de vários fatores, como a complexidade da peça, os materiais utilizados, a marca pessoal do estilista e o posicionamento do ateliê. Um vestido que um profissional confecciona por 280.000 Kz pode ser produzido por outro por 500.000 Kz ou mais. Isso faz parte do posicionamento de cada marca.
E por que estes vestidos têm esse valor?
Porque utilizam rendas nobres, muitas delas raras e de elevado custo. Além disso, grande parte das aplicações de pedrarias é feita manualmente, pedra por pedra, com precisão milimétrica. Há vestidos que exigem semanas ou até um mês inteiro de produção.
Quando olhamos apenas para o produto final, é fácil pensar que o preço é elevado. Mas quando conhecemos os materiais, as horas de trabalho, a técnica e toda a produção envolvida, percebemos que não se trata de exagero, mas sim do valor justo de uma peça de alta-costura.
Se tens fotografias de vestidos como estes guardadas no teu telemóvel para servir de inspiração, continua a guardá-las. Mas guarda também esta informação: peças deste nível podem, sim, custar estes valores.
Assim, quando fores solicitar um orçamento a um estilista, já terás uma referência mais realista e compreenderás que não se trata de extorsão, mas do custo real de produzir uma peça desta categoria.
Quanto mais informados estivermos, mais valorizamos a moda, os profissionais e o trabalho artesanal por detrás de cada criação.