16/11/2016
O que é a verdadeira realização pessoal?
É muito importante falar sobre realização pessoal. Precisamos disso em nossa vida profissional, pois é o que dá ânimo para continuarmos empenhados – e alegres – no nosso trabalho, seja ele qual for. Mas o que é realização pessoal? Parece óbvio, mas não é. Algumas pessoas acham que a realização pessoal está, por exemplo, em ficar rico depois de alguns anos de trabalho árduo; outras, acreditam que está em obter prestígio na profissão – o que normalmente vem depois de alguns bons anos de experiência profissional; outros, na fama que se conquista daquilo que se faz. Ou seja, todos esses exemplos que citei dizem respeito a uma realização vista tanto como uma meta final e futura – “se eu conseguir isso no fim, estarei realizado!” – quanto como um patamar “perfeito” a que se chega onde não há mais nada a se fazer além de desfrutar da realização conquistada.
Porém, a realização não deve ser vista como o resultado futuro de anos de esforço (riqueza, fama, prestígio, etc.) e nem como um lugar perfeito que alcançamos de modo definitivo. A realização está no presente, não no futuro. Vou explicar, porque o que eu estou escrevendo não é nenhum absurdo – por mais que pareça! Vamos ao dicionário Aurélio. A única definição que encontramos para a palavra “realização” é a seguinte: “1. Ato ou efeito de realizar(-se)”. Então, realização é uma ação – constante – de realizar a si mesmo ou algo, ou seja, não é um resultado final futuro que alcançamos! Já a palavra “realizar” significa “1. Tornar real, efetivo, existente”, ou seja, é uma ação de tornar a si mesmo (ou algum objeto concreto) real. Assim, se eu falo de realização pessoal, só posso estar falando da “ação de tornar a minha pessoa real”, o que em outras palavras significa a “ação de colocar a minha pessoa na realidade, no mundo”!
Por fim, se realização pessoal é a “ação de colocar a minha pessoa no mundo”, quer dizer que ela só existe se for a ação de deixar, diariamente, a marca da minha presença no contexto em que eu estou vivendo (o que inclui tanto o contexto em que trabalho quanto todos os outros contextos da minha vida), por menor ou maior que ela seja. E se é uma marca pessoal, quer dizer que ela não pode ser qualquer marca, porque todos nós somos únicos, singulares, e a marca de um nunca poderá ser igual à de outro; quer dizer, então, que precisa ser uma marca que tenha a ver comigo, que tenha os valores mais importantes para a minha pessoa (e cada um de nós tem alguns valores que são extremamente importantes para si, que podem ser justiça, bondade, beleza, felicidade, verdade, solidariedade, dentre outros) e que tenha o meu jeito de ser! Então, chega de carregar a falsa ideia de que a realização está no futuro: para ser verdadeira, ela deve ser constante e deve ser no presente. E um importante alerta: eu estar me realizando não quer dizer que eu não possa passar por dificuldades no meu trabalho (e, sinceramente, sempre serão muitas!), e sim que, apesar de todas as dificuldades que eu tenho que enfrentar, eu consiga deixar algo de meu, algo próprio da minha pessoa e algo que eu amo naquilo que eu faço. Essa sim é a verdadeira realização pessoal.