10/08/2026
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O escalador argentino Carlos Evaristo Comesaña morreu aos 86 anos, em 01/08, em sua casa em Fortaleza, no Brasil. Foram mais de seis décadas dedicadas à escalada, exploração e divulgação do montanhismo.
Seu nome entrou para a história em 1965, quando, ao lado de José Luis Fonrouge, alcançou o cume do Fitz Roy (3.405 m) pela Supercanaleta. A dupla permaneceu cerca de 70 horas na parede, utilizando uma abordagem leve e autônoma, considerada precursora do estilo alpino que ganharia força nas décadas seguintes.
A relação de Comesaña com a Patagônia começou ainda nos anos 1950 e se estendeu por décadas. Ele participou de primeiras ascensões, explorou regiões do Hielo Patagónico Sur, escalou nos Andes peruanos e participou de expedições à Antártida.
Em 1971, liderou a Terceira Expedição Argentina ao Everest. O grupo chegou a aproximadamente 8.000 metros, mas precisou recuar diante das condições extremas. Comesaña sofreu congelamentos nos pés, mas considerou o resultado um “fracasso respeitável”, justamente por a expedição ter terminado sem mortes.
Defensor de um montanhismo baseado em autonomia, exploração e abertura de novas rotas, Comesaña também foi crítico da crescente utilização de cordas fixas e estruturas artificiais nas grandes paredes da Patagônia. Para ele, a montanha deveria ser um espaço de descoberta, companheirismo e respeito.
Um acidente automobilístico em 1980 encerrou sua trajetória na escalada, mas não seu espírito aventureiro. Ele passou a se dedicar à vela e ao caiaque e viveu no Brasil durante as últimas quatro décadas.
Sua história foi registrada no livro Patagonia Eterna, publicado em 2018.
Como último capítulo de sua relação com as montanhas, suas cinzas deverão ser levadas para Piedra del Fraile, aos pés do Fitz Roy, de onde partiu, 61 anos atrás, para realizar uma das escaladas que marcaram a história do montanhismo patagônico.