01/12/2018
~ RELATO EVENTO | 30 nov ~
No dia 30 de novembro, Milena Alves fez uma fala sobre Design de Serviço no Setor Público, Inclusão de Populações Marginalizadas.
A pesquisadora nos contou sobre sua formação e como se deu a aproximação com o tema. Principalmente a partir de iniciação científ**a, realizada em 2008-2009. Natural de São Luís do Maranhão, Milena contextualizou a existência da base militar de Alcântara com as questões de vulnerabilidade de comunidades artesãs, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Ressaltou que identidade é valor. Nos contou que participou de projetos para valorizar essas comunidades e não deixar elas e seus fazeres tradicionais desaparecessem, através de estudos etnográficos, design antropológico e design social.
Apresentou os livros "Identidade é valor - as cadeias produtivas de artesanato de Alcântara. Raquel Noronha (org.). Edufma, 2011", e "Embarcações & Manguezais. Iconografias do Maranhão. UFMA". Com esse arcabouço teórico e vivência do social, a designer passou a utilizar seu repertório em desenvolvimento de design de produtos (sua formação acadêmica original).
Em 2008, ela não tinha tudo acesso a área de conhecimento design de serviço (área recente no Brasil, mas compatível com o modo como ela estava pensando e agindo). Um colega bolsista do mesmo projeto, apresentou a ela o prof. Aguinaldo dos Santos (UFPR) e suas pesquisas. Em 2014, Milena decidiu que faria mestrado com o professor. O que conquistou em 2017.
Milena seguiu apresentando os temas Sustentabilidade, Requisitos de Design de Sistemas de Produto + Serviços. Nos trouxe o questionamento: "Como o design pode contribuir com a inclusão de pessoas marginalizadas?"
E mostrou os desafios para o designer de serviços no setor público: 1. escala, 2. regulamentos, 3. organizacional e 4. cultural. Trouxe o exemplo de como o design pode melhorar o serviço de um hospital, Mayo Clinic's for Innovation.
A pesquisadora apresentou características e esforços para definição de População Marginalizada. Como populações afastadas do centro da sociedade, à margem do poder, da dominância cultural e do bem-estar econômico e social. Ressaltou que se faz necessário compreender diversos aspectos:
entender o contexto e explorar as causas que originaram a marginalização,
efeito da marginalização x causa da marginalização,
considerar cada problema específico, sem generalizar,
evitar efeito rebound,
formar equipes multidisciplinares e cocriativas,
respeitar os direitos humanos,
criar metodologias culturalmente seguras e alinhadas
A minoria é definida pela própria pessoa que sofre o preconceito e sente isso na pele. Nosso objetivo como designer é escutar o que a pessoa tem a dizer e tentar projetar algo para essa população. Em suas experiências nas comunidades indígenas e quilombolas, a equipe estava muito mais para aprender do que para sugerir alguma "solução ideal" ou "certa".
A pesquisadora também pontuou a dificuldade em vislumbrar futuro para a pesquisa que está realizando no mestrado, com enfoque em populações marginalizadas visto o contexto histórico social e político que vivemos no qual uma parte dos brasileiros consideram minorias como "coitadismo". Na sequência, ressaltou a importância da compreensão e ação do termo empatia, e nos disse que ela deve reger as práticas. Devemos realmente nos colocar no lugar do outro, sentindo o que o outro está sentindo (ou procurando sentir).
Milena falou sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (saúde, renda e educação para todos). Apresentou a agenda de objetivos globais de desenvolvimento sustentável da ONU, os quais buscam equidade e prosperidade a todos os seres humanos. 193 países se comprometeram, de forma unânime, com a intenção de alcançar esses objetivos até 2030.
A pesquisadora mostrou que existem diversas pequenas ações que podemos fazer de forma simples, para auxiliar a cumprir esses objetivos, com o exemplo da UNIC Rio e o Guia da Pessoa Preguiçosa para Salvar o Mundo, disponível no instagram da ONU.
A pesquisadora reforçou que somos diferentes, temos identidades diferentes, culturas diferentes, mas somos iguais, estamos ocupando o mesmo espaço (mundo). Completou que Sustentabilidade tem mais a ver com interação entre as pessoas do que com outros conceitos.
Milena finalizou sua fala lembrando e divulgando que o projeto LENSIN (do qual faz parte), está desenvolvendo e disponibilizando de forma gratuita material didático sobre os temas citados.
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