08/07/2026
Poema
Corporificar
é se entregar
não ao fim,
mas ao mergulho.
Você volta ao casulo
não para se
esconder,
mas para se refazer
entre rasgos e
costuras.
Ali, no escuro,
o que dói ganha
forma,
o que cala vira
corpo.
E então você sai
não intacta,
mas possível.
Remendada.
Com fios aparentes
e uma força que não
endurece,
mas sustenta.
Porque agora
você não precisa
mais parecer inteira
você é.
Corporificar nasce da ideia de que o casulo não é um lugar de fuga, mas de transformação. É um tempo de permanecer consigo, permitindo que o corpo reorganize aquilo que a linguagem ainda não alcança. Entre rasgos, costuras e permanências, a obra propõe uma travessia em que a fragilidade deixa de ser ausência de força para tornar-se estrutura.
Não se trata de sair intacta, mas de reconhecer que as marcas também sustentam. Habitar o próprio corpo é, talvez, a forma mais profunda de retorno.
— Auri
— Auri