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PoemaCorporificaré se entregarnão ao fim,mas ao mergulho.Você volta ao casulonão para seesconder,mas para se refazerentr...
08/07/2026

Poema

Corporificar
é se entregar
não ao fim,
mas ao mergulho.

Você volta ao casulo
não para se
esconder,
mas para se refazer
entre rasgos e
costuras.

Ali, no escuro,
o que dói ganha
forma,
o que cala vira
corpo.

E então você sai
não intacta,
mas possível.

Remendada.
Com fios aparentes
e uma força que não
endurece,
mas sustenta.

Porque agora
você não precisa
mais parecer inteira

você é.

Corporificar nasce da ideia de que o casulo não é um lugar de fuga, mas de transformação. É um tempo de permanecer consigo, permitindo que o corpo reorganize aquilo que a linguagem ainda não alcança. Entre rasgos, costuras e permanências, a obra propõe uma travessia em que a fragilidade deixa de ser ausência de força para tornar-se estrutura.

Não se trata de sair intacta, mas de reconhecer que as marcas também sustentam. Habitar o próprio corpo é, talvez, a forma mais profunda de retorno.

— Auri



— Auri

CorporificaçãoNeste trabalho compartilho um pouco do meu processo de criação, desenvolvido durante o acompanhamento artí...
04/07/2026

Corporificação

Neste trabalho compartilho um pouco do meu processo de criação, desenvolvido durante o acompanhamento artístico com a curadora Bianca Bernardo.

No início, eu insistia no bidimensional. Utilizava araras como molduras para apresentar a frente e o verso da obra. Até que Bianca me fez perceber que talvez eu estivesse esquecendo a potência do tridimensional.

A observação dela despertou algo que sempre esteve em mim. Antes das artes visuais, vivi a moda com a Duuo e, antes disso, a arquitetura. O corpo, o movimento e o espaço sempre fizeram parte da minha trajetória.

Bastou abandonar as araras e pendurar o tecido. Um gesto simples que trouxe de volta minha memória arquitetônica. Em 2011, imaginei um edifício que trocava de roupa. Hoje, construo arquiteturas com tecidos.

Corporifico.



Corporificar é permitir que uma ideia deixe de caber apenas no pensamento.
É quando a matéria encontra o gesto
e o gesto encontra o corpo.
É quando a memória deixa de ser lembrança
e passa a ocupar espaço.

— Auri

Foram três meses de acompanhamento artístico on-line com a curadora Bianca Bernardo ( Bianca Bernardo ) do Rio de Janeir...
03/07/2026

Foram três meses de acompanhamento artístico on-line com a curadora Bianca Bernardo ( Bianca Bernardo ) do Rio de Janeiro. Uma experiência que transformou, antes de tudo, a minha forma de olhar.

Cheguei acreditando que existia um único caminho para a minha pesquisa. Saio compreendendo que a arte se faz justamente na abertura para muitos caminhos possíveis.

A escuta generosa da Bianca, somada à delicadeza e firmeza com que apontava aquilo que ainda era invisível para mim, me deu coragem para atravessar zonas desconhecidas do meu próprio processo.

Nesse percurso aprendi sobre a corporificação. Escrevi uma carta para Louise Bourgeois. Desenhei sentimentos. Reconheci, com mais clareza, o movimento espiralar que conduz a minha pesquisa. Deixei o bidimensional, por um momento, para reencontrar o tridimensional , linguagem que durante muitos anos foi a minha porta de entrada para a criação, ainda na Duuo.

Mais do que aprender procedimentos, aprendi a confiar no processo.

Meu agradecimento mais profundo à Bianca, pela escuta sensível, pela generosidade e pela coragem de nos conduzir para além do que já conhecíamos.

E aos meus colegas artistas, deixo também o meu carinho. Obrigada por compartilharem suas pesquisas, suas artes, suas angústias, alegrias, inconstâncias, medos e conquistas. Foi muito bonito acompanhar o percurso de cada um de vocês e perceber que, apesar das diferenças, todos seguimos movidos pelo mesmo desejo de criar, compreender e existir através da arte.

TATHYANA SANTIAGO Aline Guimarães Luana Moss Ian Salamente Carolina Kasting C a r o l i n e S a n t o s

Foi um privilégio conhecer vocês. Que nossos caminhos continuem se cruzando pelos ateliês, exposições e travessias da vida.

Sigo atravessando. Com menos certezas, mais perguntas e muito mais coragem.

Diário de Luto — O Fatídico DiaDurante muito tempo achei que havia esquecido. Descobri, na psicanálise, que eu apenas ha...
03/07/2026

Diário de Luto — O Fatídico Dia

Durante muito tempo achei que havia esquecido. Descobri, na psicanálise, que eu apenas havia sobrevivido.

Perdi meus pais aos dois anos de idade. Cresci aprendendo a seguir em frente sem compreender a dimensão dessa ausência. Este trabalho nasce do diário que escrevi durante as sessões de terapia, quando finalmente comecei a viver um luto que ficou interrompido por tantos anos.

As costuras, os rasgos e as transparências desta obra não procuram reparar uma ferida. Procuram torná-la visível. Falam de um dia que continua atravessando meu corpo, mas que já não determina o meu destino.

Acredito que o passado é lugar de visitação, não de morada.

Hoje compreendo que a casa que perdi não desapareceu. Ela permanece em mim. Nas minhas memórias, nos meus gestos, nas células que herdei e, agora, na maternidade.

Ser mãe transformou meu entendimento sobre a morte. Meus pais vivem na vida que chegou até mim. E, de alguma forma, continuam existindo na vida que agora também atravessa meu filho.

Esta obra não é sobre permanecer na dor.

É sobre descobrir que o amor também atravessa gerações.



O corpo lembra

Há um dia
que nunca terminou.

Ele acorda comigo
todas as manhãs.

Durante anos
chamei de esquecimento
o que era silêncio.

Hoje,
costuro o vazio
sem fechá-lo.

Porque algumas feridas
não pedem cura.

Pedem voz.

Descobri que a casa
que pensei ter perdido
nunca deixou meu corpo.

Ela pulsa
no sangue,
na memória,
no filho que abraço.

A morte levou seus nomes.

Mas não levou
o que continuam sendo
em mim.

— Auri

Eu nunca tinha ouvido falar em residência artística.No começo de 2026, decidi me dedicar de verdade à minha carreira com...
28/06/2026

Eu nunca tinha ouvido falar em residência artística.

No começo de 2026, decidi me dedicar de verdade à minha carreira como artista visual contemporânea. A partir daí, conversando com colegas artistas, fui descobrindo um universo inteiro que, curiosamente, sempre esteve ao meu redor, mas que eu ainda não sabia nomear.

Descobri que existe um circuito, um caminho de encontros, trocas e aprendizados. Passei a buscar a convivência com artistas, professores, curadores e colecionadores. Aos poucos fui percebendo que, na verdade, eu já habitava esse território de alguma forma. Minha vida sempre foi permeável à arte, às suas margens e aos seus afetos. Faltavam apenas as palavras e a consciência de que eu já fazia parte desse caminho.

A residência artística foi uma dessas descobertas. Eu nem sabia que esse formato existia e fiquei profundamente feliz quando fui convidada para participar da minha primeira residência, cercada de amigos, pessoas muito queridas e profissionais que aprendi a admirar e respeitar.

Este post é o início da partilha dessa experiência. Nos próximos dias vou mostrar um pouco da imersão que vivi na Residência Confluências, uma experiência que me aproximou da terra, das pedras, das águas, das pessoas e, principalmente, da minha própria pesquisa artística.

Meu profundo agradecimento ao Ateliê Ateliê Justura pelo convite e pela confiança. Que possamos seguir criando espaços de encontro, escuta e reconexão com a terra que, generosamente, tanto nos oferece.

Olhança: A Dança do Sentir II : A RedençãoHá feridas que são olhos.Há olhos que são portas.Portas que se abrem somente p...
16/06/2026

Olhança: A Dança do Sentir II : A Redenção

Há feridas que são olhos.
Há olhos que são portas.

Portas que se abrem somente para quem aceita caminhar para dentro.

Nesta obra, a busca se transforma em acolhimento. Os fragmentos já não procuram um lugar de pertencimento; tornam-se o próprio lugar. Memória, afeto e tempo deixam de ser peso para revelar sua potência de transformação.

Olhança: A Dança do Sentir II :A Redenção fala sobre o instante em que a dor deixa de ser apenas ferida e passa a ser passagem. Quando aquilo que nos atravessou encontra repouso no corpo, e a presença ocupa o espaço da ausência.

A matéria continua a dançar, mas agora não busca respostas.

Habita.

E nesse movimento silencioso, o sentir aprende a olhar, e o olhar, finalmente, aprende a acolher.

Auri Moraes





Olhança: A Dança do SentirNesta obra, investigo o olhar como um território de memória, afeto e transformação. As formas ...
15/06/2026

Olhança: A Dança do Sentir

Nesta obra, investigo o olhar como um território de memória, afeto e transformação. As formas orgânicas, articuladas por alfinetes, podem ser rearranjadas continuamente, criando uma composição em permanente movimento.

Os círculos e espirais surgem como mapas internos, vestígios de experiências que habitam o corpo e atravessam o tempo. Interessa-me pensar a imagem como algo vivo, instável e sensível, capaz de se transformar a cada novo encontro.

Olhança: A Dança do Sentir é um convite para olhar não apenas com os olhos, mas com a memória, com o corpo e com tudo aquilo que nos constitui por dentro.





Cartografia do FôlegoSérie: Arquitetura das Peles Revestidas | 2026Nesta instalação, reúno três obras — Contornos da Vid...
04/06/2026

Cartografia do Fôlego
Série: Arquitetura das Peles Revestidas | 2026

Nesta instalação, reúno três obras — Contornos da Vida, Ladeiras que Pedem Silêncio e Fôlego da Voz — em um único corpo suspenso. Juntas, elas formam Cartografia do Fôlego, um território construído por fragmentos, costuras, vazios e tentativas de reorganização.

Minha pesquisa nasce da tentativa de compreender como continuamos vivendo depois das rupturas. Trabalho com tecidos translúcidos, linhas, pintura e inscrições que funcionam como mapas afetivos, registrando percursos, ausências e permanências. Interessa-me pensar o corpo como uma arquitetura em constante transformação, onde as marcas do tempo não são apagadas, mas incorporadas à própria estrutura.

Ao suspender essas peças no espaço, procuro criar uma relação entre leveza e instabilidade. Os fragmentos parecem flutuar, mas permanecem conectados por fios que insistem em estabelecer vínculos. Para mim, essa obra fala sobre aquilo que permanece respirando mesmo quando tudo parece disperso.

Cartografia do Fôlego

recolho pedaços

não para voltar a ser inteira

mas para compreender
o desenho que o tempo fez em mim

há tecidos que guardam vozes

há costuras que lembram caminhos

há vazios que também contam histórias

penduro minhas ruínas ao vento

para que respirem

para que a luz atravesse

para que a memória deixe de ser peso
e se torne passagem

entre um fragmento e outro

o fôlego continua

feito linha

feito gesto

feito criança que se perdeu

e ainda assim

segue chamando meu nome

de dentro da própria travessia.

— Auri

Há algum tempo venho entendendo que minhas obras não falam sobre superar a dor, mas sobre permanecer diante dela.Sem rom...
20/05/2026

Há algum tempo venho entendendo que minhas obras não falam sobre superar a dor, mas sobre permanecer diante dela.
Sem romantizar o abismo, sem tentar apagá-lo.
Essa obra nasce desse lugar: o corpo atravessado, costurado, riscado, quase desmontado, mas ainda em pé.

Os fios rosados atravessam a imagem como cicatrizes abertas, como tentativas de ligação entre partes que foram rompidas. Existe uma insistência no gesto. Uma recusa em desaparecer.
O corpo não aparece inteiro, resolvido ou pacificado. Ele aparece possível.

Tenho pensado muito sobre como somos ensinados a esconder nossas rachaduras, quando talvez seja justamente nelas que mora nossa transformação.
Essa obra fala sobre tocar o fundo sem endurecer. Sobre mudar sem precisar negar aquilo que doeu. Sobre existir mesmo incompleta.

abraçar o abismo
não é cair
é ficar
olhar de frente
o que dói
sem desviar
toco o fundo
e não quebro
mudo
o fim
não termina
desfaz
refaz
insisto
não inteira
não pronta
possível
é o que sou
e é daqui
que começo

Auri

contemporânea

me recuso a vestir formas prontas.a vida tenta dobrar o corpo, medir os gestos, alinhar os excessos, costurar silêncios ...
19/05/2026

me recuso a vestir formas prontas.

a vida tenta dobrar o corpo, medir os gestos, alinhar os excessos, costurar silêncios onde existia grito.
mas eu não nasci para o encaixe.

rasgo padrões como quem abre tecido antigo para respirar de novo.
fico no que transborda, no que sobra, no que não cabe em moldura alguma.

meu trabalho nasce desse corpo atravessado:
dobrado, costurado, remendado, mas ainda pulsando.

cada linha desenhada é quase uma tentativa de reconstrução.
cada dobra guarda uma memória do que fui, do que perdi e do que continuo me tornando.

não busco perfeição.
busco permanência.

Auri

Endereço

Rua 03 QD 50 LOTE 116 NUMERO 187-LOJA 02-SETOR CENTRAL
Goiânia
74.030-065

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