27/10/2020
RUA DO ARAVINDA - COLEÇÃO 2020
Era uma rua misteriosa e enigmática para os viajantes que chegavam de madrugada na cidade de Pirenópolis, encontrando logo de cara, as tradicionais ruas de pedras, que reduziam a velocidade da estrada, observando a fantástica e preservada arquitetura colonial, encontrando em meio as ruas ermas, a luz amarela de uma arandela, acesa, em um estabelecimento que parecia uma taberna de um quadro de Van Gogh.
Entrando na meia luz do ambiente, com decoração confortavelmente hippie, com panos com desenhos expressivos e velas sobre o mobiliário de madeira... logo percebiam um elfo ou um hobbit pirenopolino, curtindo uma “cítara” tocada por um fraterno morador do Morro dos Pirineus, que chegava no seu carro antigo conversível para fazer um som no pequeno palco no canto do estabelecimento, o som do seu instrumento indiano de muitas cordas, ressoava um ar oriental... antigo... no meio do Goyaz...
Bons tempos aqueles me remetem ao sabor daquele sanduíche de pão integral, quadrado, com frango desfiado, salada e uma boa maionese, das mãos daquela grande fada Edna que começou tudo ali pelas suas mãos...
O lugar era mágico!
Hoje essa antiga rua... beco... fundo de cochos antigos para cavalos... Se transformou na Grandiosa Pirenópolis Turística dos dias atuais, recebendo pessoas de vários cantos do país, recebendo o apelido moderno de Rua do Lazer.
Roupagens modernas...telefones mudos... ideias semidesnatadas e perninhas cruzadas, transformaram a cidade neste gigantesco polo turístico e está tudo certo!! Continua massa...
A Rua foi recapada, reencadernada, e reformada..
O antigo e saboroso Prato Feito (PF de R$ 2,50 e um ovo frito), perdeu lugar agora para os tais “pratos gourmets”.
Os novos toldos elegantes, cobrem as maquininhas de cartão devoradoras de cascalho eletrônico virulento do bolso dos magnatas...
Tudo bem, sempre passo andando por ali!!
Os ciclos... A roda da história não perdoa mesmo... Entre altos e baixos de vez em quando a nuance de uma boa memória remonta aqui e agora...
O que passou e ainda reside nas fachadas das casas, na beira do rio, nos becos e nas ruas da antiga “Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte (nome inspirado em uma enchente que derrubou parte da ponte do Rio das Almas)” cidade de quase 300 anos (1727).
E a sequência da história dessa cidade erguida no vale do rio das Alma, no ciclo do ouro, em meio às suas riquezas minerais e vegetais é competência dos transeuntes de hoje, que assim como eu, ainda de pé sobre as pedras, cruzam descendo e subindo essas ruas com séculos de história participando mais uma vez disso com o coração...
Valeu Edna!!