Dona de seu nariz e de seu tempo, podem chamá-la como quiserem, ela se garante. Ela é: coroa, perua, aquela que deu e que dá, mulher, mulherão, mulherzinha, com muita honra! -
Por Márcia Vilella - Crônica da antologia Doida ou doída demais? Isto é fichinha para quem já levou nome de galinha, piranha, p**a , sapatão depois que se separou e ficou sozinha criando os filhos, recriando a vida e se re
construindo na incansável busca de achar em outros corpos, outros seres, algo para aplacar a sua solidão ou alguém que a amasse como ela queria e merecia! Jornada tripla de trabalho no dia a dia. Jornada eterna de uma pessoa ainda tonta pelas perdas tantas, pelos muitos erros, pelas infatigáveis tentativas de reencontrar-se contando apenas consigo com sua força e coragem. Foi ela quem lavou, passou, cozinhou, fez doces, salgados, sabão em barras e detergente; vendeu batom e perfume, deu aulas particulares, fez trabalhos escolares para alunos preguiçosos e ricos, escreveu em jornais, chegou até à TV, fez de tudo para sobreviver dignamente sem perder o auto-respeito e o dos filhos. Curou machucados, febres lhe roubaram noites, reuniões de colégios e dentistas que endireitavam dentes tortos das crias que pariu com dor e gozo. A cada rótulo, a cada apelido, ela respondia com silêncio e trabalho. Nem sentia o peso, apenas carregava o seu fardo com o nariz e a bunda empinados. Segundo sua mãe, mulher de fibra e fé, a cada um cabe levar a própria cruz ao seu Calvário. E fé foi o que não lhe faltou! Houveram momentos de desânimo e dor e quando pensava em desistir... era hora de botar o feijão no fogo outra vez. Muitas vezes chorou e se sentiu injustiçada numa sociedade onde só o homem tinha valor. E ela, rebelde, inconformada, também queria...