24/11/2018
Excelente reflexão, com maturidade e coerência.
O Brasil e o Rio Grande acima da disputa eleitoral
Terminadas as eleições, muitos brasileiros estão satisfeitos com o resultado, mas muitos não estão. E assim é a democracia. Às vezes ela inspira e alegra, outras decepciona e entristece. O processo eleitoral é, em essência, uma disputa de projetos de poder, com argumentos próprios, num diálogo com a população, numa tentativa de convencimento.
Aos vitoriosos, cabe um planejamento para governar para todos, inclusive aos que não votaram neles. Já aos que perderam resta refletir e aprender com os erros, entender que para a próxima disputa é preciso assumir que faltou algo e então voltar com um projeto oxigenado, revisado e mais próximo dos anseios das pessoas.
A democracia, aliás, é a alternância de poder de projetos políticos e ideológicos. Em um país livre, cabe qualquer tipo de governo, de qualquer ideologia, desde que não seja desonesto ou passe por cima da Constituição. Aos que não concordam com as ideias dos vencedores, convém manter uma independência crítica, mas coerente, sempre buscando o bem comum do estado e do país. Isso não significa estar subserviente a tudo o que os vencedores ditam, até porque não é possível imaginar a democracia sem o debate político, sem o contraponto, sem visões divergentes que auxiliem na lapidação de projetos importantes.
No caso do Rio Grande do Sul, as pessoas decidiram, no primeiro turno, dar um voto de confiança a dois projetos muito parecidos no que diz respeito à leitura sobre a economia do estado e à responsabilidade com as contas públicas. Por motivos que não convém analisar neste artigo, fizeram a opção pela troca no comando do Piratini. Na prática, já nos primeiros movimentos da transição, pode-se observar que muitas pautas da agenda política do atual governo devem ser mantidos pela próxima gestão, assim como também terão outras tantas agendas em que haverá discordância.
Não existem verdades absolutas na politica. Se assim fosse, a democracia não seria necessária. Portanto, fazer oposição não significa ser contra tudo o que o futuro governo propuser. Muitas vezes estaremos ao mesmo lado, desde que visando o bem dos gaúchos. Então, vaias ao fisiologismo, que corrói o sistema, e aplausos à oposição séria, que garante o amadurecimento por meio do diálogo.