29/04/2024
A maternidade é uma montanha russa.
Uma divisão muito doida de sentimentos e sensações.
“Onde já se viu, criar filho para o mundo? É meu. O mundo tá cruel.”
“Isso aí filha, o mundo é teu. Voa. A mamãe aguenta o vazio.”
“Nossa não vejo a hora dessa fase passar, tá tão difícil.”
“Tempo calma, vai mais devagar que meu bebê está crescendo muito rápido.”
Um grito. Uma culpa. Um perdão. Um sorriso. Assim, bem rápido, no mesmo segundo!
Os looping são bem tensos. Não dá tempo de colocar nem o cinto e você já está de ponta cabeça. Parece que passou um furacão - literalmente.
“Só preciso respirar. Queria fugir.”
“Pera, deixa eu só fazer as malas deles tb, onde já se viu deixar meus filhos pra trás!”
Calma. Isso vai passar.
Não, não vai.
Sou filha tb.
Eu sei que não vai.
Continuo gritando minha mãe quando preciso. Continuo precisando.
Eu só não durmo mais no meio da cama. Tá, as vezes eu até durmo.
Ah, talvez com uns 50 e poucos anos isso passe.
Não, não vai passar.
A gente não quer que passe.
A gente cansa o corpo, a gente não cansa de ser mãe.
A gente passa tudo de novo.
A gente chora tudo mais uma vez.
A gente sofre tudo igualzinho...
Só pra ver eles pulando, felizes assim.
“Não, pera...não precisa derrubar tudo e tacar tudo no chão, tá feliz demais.”
“Ah, para! Deixa jogar. Deixa ser criança. Eles vão crescer e nem vão mais querer saber da minha casa.”
Sei lá. Talvez montanha russa seja muito “de boa”.
Por aqui tá parecendo um trem desgovernado 🤍
Texto:
Coleção "toda mãe é suficiente"