23/01/2022
ATENÇÃO GESTANTES!!
Leia e salve esse post.
Essa profissional é uma Enfermeira Obstetra humanizada, pesquisadora sem fronteiras e educadora na área obstétrica.
( Dica de perfil para seguirem)
É fácil enxergar a violência obstétrica no monstro e na ação monstruosa, assustadora. Bater, xingar, rasgar, empurrar, cortar. São eventos que chocam e chamam a atenção mas é importante não colocarmos a VO só nesse lugar extremo.
Primeiro, porque isso faz com que os profissionais "normais", "bons", "educados" achem que isso não tem nada a ver com eles. Afinal, chamam de querida, sabem o nome do bebê e jamais bateriam em alguém. Porém, com isso, podem não se abrir para rever suas práticas que não são monstruosas mas também causam dano e sofrimento.
Segundo, porque essa visão de que a VO acontece somente em situações reconhecidamente pavorosas confunde e apaga as experiências de quem sofreu violência, se sente vítima, mas "não foi tão grave assim". E eu acho importante legitimar esse sentimento de quem não apanhou nem ouviu gritos e xingamentos ou foi cortada sem anestesia, porque esses outros eventos também causam trauma e precisam de nome e de espaço para serem elaborados.
Há alguns anos eu ouvi uma história de uma gestante que ilustra bem isso. Ela havia tido um parto uma década antes, com pacote completo de intervenções. Em um dado momento, quando ela estava já em trabalho de parto avançado (sozinha), um médico que ela nunca havia visto entrou, examinou, falou que ela estava com 9cm e que, se não nascesse em 1h, ele voltaria e teria que romper a bolsa. Ela não sabia o que era isso (romper a bolsa) nem como se fazia, mas achou a ideia apavorante e ficou naquela 1h tentando tudo que podia para fazer o bebê nascer antes que ele voltasse. Fez muita força, sozinha, com medo. E o bebê nasceu antes de 1h. Ela me contou muito aliviada que tinha conseguido escapar daquilo, que pareceu para ela muito perigoso. Dez anos depois, ela ainda parecia assustada com a ideia... Não acho que esse médico fosse um monstro. Mas certamente ele não tem ideia do que aquelas palavras signif**aram na hora e ainda signif**avam 10 anos depois.