27/08/2026
EU NÃO ESTOU NAS MINHAS FOTOS.
Hoje eu procurei uma foto minha.
Não achei.
Minha galeria está cheia de pessoas que eu amo. Dos meus filhos, da minha família, do trabalho, dos lugares onde estive, das coisas que vivi.
Mas eu quase não estou lá.
E isso me assustou.
Quando foi que eu desapareci das minhas próprias fotografias?
Quando foi que eu parei de querer ser vista?
Ou pior: quando foi que eu parei de querer me ver?
Talvez tenha sido aos poucos. No meio da casa, dos filhos, do trabalho, das responsabilidades, de tudo aquilo que precisava de mim.
Fui me colocando para depois.
Depois eu cuido de mim.
Depois eu me arrumo.
Depois eu tiro uma foto.
Depois eu penso em mim.
E esse “depois” durou tanto que eu quase me esqueci.
Eu estava em todos os lugares.
Só não estava em mim.
E o tempo nem pisou tanto assim.
O meu olhar é que ficou crítico demais para enxergar beleza.
Eu vejo o braço antes do sorriso.
A marca antes do rosto.
O cabelo que precisava estar arrumado antes de perceber que eu estava feliz.
Talvez eu tenha passado tempo demais procurando defeitos e tempo de menos me enxergando.
E, sem perceber, fui me apagando.
Mas eu não quero mais.
Quero tirar fotos.
Quero aparecer.
Quero me olhar sem procurar imediatamente aquilo que eu mudaria.
Quero aprender a enxergar beleza antes do defeito.
Quero fazer as pazes com o corpo que mudou, com os cabelos brancos que chegaram, com as marcas que a vida deixou.
Não quero voltar a ser quem eu fui.
Quero aprender a amar quem eu sou agora.
Quero voltar a ocupar espaço na minha própria história.
Porque talvez eu não tenha me perdido.
Talvez eu só tenha me deixado por último por tempo demais.
E agora eu quero voltar.
Não para quem eu era.
Para mim.
Eu não quero mais me apagar.
Eu quero me acender.