08/07/2026
Às vezes, é preciso um pouco de passado para suportar o futuro.
Entre o limiar da vida e da morte, da realidade e do delírio, permanece a saudade. E, junto dela, uma inconformidade que o tempo nunca conseguiu acalmar.
Hoje é seu aniversário, minha mãe amada.
Tão parecida comigo e, ao mesmo tempo, tão diferente. Queria ter herdado pelo menos 10% da sua fé. Talvez a saudade doesse menos.
Queria te abraçar mais uma vez. Ver aquele sorriso que sempre aparecia quando eu chegava a Cantagalo. Ouvir sua voz. Sentir seu cheiro. Encontrar novamente o seu colo, que sempre fez o mundo parecer um lugar mais seguro.
Queria rever aquele semblante silencioso quando eu fazia ou dizia alguma coisa que você não entendia, mas, ainda assim, respeitava. Isso é amor.
Amar quem é igual a nós é fácil. Difícil — e extraordinário — é acolher quem pensa, sente e vive diferente. Você fazia isso como ninguém. Amor puro. Amor na veia.
Eu ainda não me conformo.
A sua partida, para mim, continua sendo um buraco sem tampa. Sem fundo. Um vazio que não diminui; apenas aprende a caminhar ao meu lado.
Sinto sua falta todos os dias. Em cada conquista, em cada dificuldade, em cada vontade de pegar o telefone e contar alguma coisa. Há uma parte de mim que continua esperando encontrar você.
Te amo.
E vou te amar para sempre.
Feliz aniversário, mamãe.
Espero que, onde quer que a senhora esteja, consiga sentir o quanto continua viva dentro de mim. Porque o amor que construímos nunca conheceu o significado da palavra fim.