Tião Carreiro permanece vivo na memória dos fãs e agora em site na internet. Em 2004, deu-se destaque ao aniversário de vida e de morte de várias estrelas da música popular brasileira. Longe da grande mídia, porém, o meio sertanejo reverenciou sem grande alarde, mais com muita cantoria e respeito, a memória de seu ídolo maior: o violeiro Tião Carreiro. Este é o nome pelo qual ganhou fama José Dias
Núnes, que completaria 70 anos em 13 de dezembro de 2004, não fossem as complicações provocadas por uma diabetes que silenciou seus ponteados em 15 de outubro de 1993. Desde então, milhões de fãs pelo Brasil afora aliviam as saudades ouvindo e tocando as centenas de músicas gravadas por ele em 27 discos 78 rpm(9 com Carreirinho e 18 com Pardinho)e aproximadamente 41 LPs que foram remasterizados em 41 CDs( 33 com Pardinho, 01 com Carreirinho, 04 com Paraíso, 02 discos solos, e 01 com Praiano), além de 15 compilações em LP lançadas entre uma e outra gravações, compactos simples e duplos. Tião Carreiro estreou em disco em novembro de 1956,(um bolação de 78 rpm que trazia “Boiadeiro Punho de Aço”, no lado A e “Cavaleiros do Bom Jesus” no lado B) ao lado de Pardinho, ex-trabalhador braçal e cantor de horas vagas que ele conheceu no circo Rapa Rapa, na cidade de Pirajuí/SP. No início, adotava o nome de Zé Mineiro, passando a seguir a João Carreiro. O batismo definitivo veio por sugestão de Teddy Vieira, então diretor da RCA Victor e parceiro de Tião em alguns dos principais sucessos da dupla. Antes de conhecer Antonio Henrique de Lima, o Pardinho, Tião já havia cantado usando os nomes de Zezinho, junto a Lenço Verde, e de Palmeirinha , primeiro com Coqueirinho e depois com Tietezinho. O novo nome caiu como luva também para a breve dobradinha formada com entre Tião e Carreirinho, que registrou 09 (nove) 78 rpm e um LP. Violeiro intuitivo, Tião Carreiro jamais frequentou escola de música . Foi autodidata também na escrita, ao ponto de criar letras com cheiro de terra e mato para várias músicas de seu vasto repertório. Não bastasse isso, também soube se cercar de poetas com “P” maiúsculo, do porte de Lourival dos Santos, Moacir dos Santos- que apesar do sobrenome , não tinham nenhum parentesco, Dino Franco e do próprio Teddy Vieira. Mas fosse qual fosse o nome que adotasse, o destino de Tião parecia mesmo esta traçado nos braços da viola. Sobretudo depois que ele criou o pagode caipira, definido pelo cantador e produtor mineiro Téo Azevedo como uma feliz junção de coco nordestino com calango de roda. Ambas levadas, vale lembrar, eram e ainda são bastante praticadas na região em que Tião e o próprio Téo nasceram, quase divisa com a Bahia. Há quem perceba no pagode certo parentesco com o Catira, só que em o pandeiro, o reco reco e temperos percussivos desta outra levada violeira. O novo ritmo surgiu em março de 1959, embora seu primeiro registro em disco tenha se dado no ano seguinte, com “Pagode em Brasília” (autores: Teddy Vieira e Lourival dos Santos). Para termos de comparação, o sucesso gravado por Tião Carreiro e Pardinho, em homenagem a recém-inaugurada Capital federal, está para o Pagode de Viola, assim como “Chega de Saudade” (autores :Tom Jobim e Vinícius de Moraes), lançados dois anos antes por João Gilberto, está para a bossa nova. Em ambos o diferencial era dado pelas batidas inventadas por músicos virtuosos.No caso do Tião acabou pesando a favor dele compor e cantar magistralmente, como deixam ver (e ouvir) clássicos como “Amargurado”(com Dino Franco), “Rio de Lágrimas” (com Piraci e Lourival dos Santos), “Cabelo Loiro”(com Zé Bonito) e tantos outros. Não desmerecendo os demais parceiros de Tião, sua segundona grave soava sob medida para a primeira voz de Pardinho. E, mesmo com a morte do violeiro, o pagode continua na ordem do dia para uma legião de seguidores espalhados pelo Brasil, que tem entre seus principais expoentes o músico sul-matogrossense Almir Sater. (Texto :Donizete Santos) Ao mestre