21/11/2025
Ontem foi o Dia da Consciência Negra, e meu coração voltou às minhas raízes.
Mesmo tendo conhecido tão pouco da minha avó — eu tinha apenas cinco anos quando ela partiu — carrego flashes que nunca se apagaram. Lembro dela sentada numa casa simples, de chão batido, luz de vela… e aquele olhar terno, cheio de paz, que parecia iluminar tudo ao redor.
Meu pai conta histórias que completam aquilo que eu só pude ver de relance. Ele lembra que a minha avó juntava comida dentro de uma lata de óleo Lisa e levava para eles comerem. Era pouco, mas era tudo o que ela tinha. E, mesmo assim, ela dividia. Ela cuidava. Ela sustentava. Ela amava. Às vezes a gente pensa que os nossos pais fazem pouco por nós, mas quando crescemos entendemos que eles deram o melhor que podiam com o que tinham.
Meu pai é um homem honesto, trabalhador, que sempre tentou fazer o melhor por nós. E embora ontem fosse o Dia da Consciência Negra, o que meu pai me ensinou não foi só sobre cor, mas sobre consciência humana — sobre olhar para as pessoas como Jesus olhava. E isso eu não aprendi dentro da igreja; eu aprendi dentro da minha casa.
Hoje eu entendo que a minha avó, sendo uma mulher negra, criou o meu pai com valores que atravessam o tempo: dignidade, respeito, trabalho, fé e humanidade. E parte disso chegou até mim.
E eu confesso… às vezes eu queria ter um pouquinho da cor dela, por ter saído tão branquinha.
Não por estética, mas por orgulho.
Orgulho da força dela.
Orgulho da história dela.
Orgulho de carregar o sangue, mesmo que não a cor.
Eu agradeço a Deus porque eu tenho história.
Tenho raiz.
Tenho legado.
E eu tenho muito orgulho de ser neta da dona Benedita — uma mulher negra, forte, simples e gigante naquilo que realmente importa.
ORGULHE-SE DE SUAS RAIZES