25/10/2026
Falo tanto de autoralidade por aqui, e se fala tanto por aí…
Mas autoria não é coisa nova. Está apenas mais presente e mais comum. E sobre isso já venho falando há algum tempo e pretendo retomar em breve, principalmente por tudo que li e venho acompanhando nessas últimas eleições. Sim, são temas muito interligados, como quase tudo nesse mundo redondo e sistêmico que a gente vive.
Ontem partiu Dadá Figueiredo, um dos nomes mais importantes do surf brasileiro. Foi jovem, com 61 anos, de deixa todos os fãs tristes.
O lifestyle litorâneo, do surf, do skate, dos anos 80, entre outras referências, inspiram demais as minhas criações. O amarelo neon da logo é um dos claros reflexos disso.
Quando menina, frequentadora assídua da praia e sempre no meio da molecada underground, tinha Dadá Figueiredo como um dos meus ídolos. Acompanhava, achava incrível sua trajetória e sua irreverência, e sua história tão dedicada, honesta e visceral com a moda.
Além de um surfista excepcional e revolucionário nas ondas e no cenário do esporte, Dadá Tinha uma marca própria, que não era apenas uma investida comercial ou um hobby fora d’água. Era uma das linguagens que usava pra se expressar no mundo. Era um manifesto, uma missão, um estilo de vida mesmo. De dentro pra fora. Era muita personalidade, muita autenticidade.
A marca era a Anti Fashion, que ele abandonara quando seu sócio começou a querer mudar a essência original para um projeto de maior aceitação de mercado. Em seguida fundou a Necrose Social, um trabalho tão genuíno, que permaneceu fiel, independente e vivo até os dias de hoje. Vejam os prints tirados do próprio Instagram da grife.
Dadá Figueiredo nos deixa, mas deixa também uma história de extremo estilo, ousadia e atitude, dentro e fora do mar, e uma aula sobre trabalho e marca autoral. Foi marcante, marcou!
Nosso muito obrigada, respeito e admiração!
Crédito das fotos nos próprios prints dos perfis Dadá Figueiredo e Necrose Social