01/09/2017
No corredor da escola a professora sinaliza que tem recado na agenda... fico apreensiva. Então percebo a bochecha dele marcada. Uma mordida das grandes. Entro no carro. Olho a agenda e lá estava escrito com toda gentileza e constrangimento : "seu filho foi mordido... " e os cuidados que tiveram.
" O que aconteceu hoje na escola, filho?"
"- Amiga mordeu. " e não era a primeira vez.
Por um fio não respondo o que costumeiramente aprendemos. Pensei em falar para ele ficar longe dela. Para ele ir brincar com outras crianças. Mas disse respirando fundo: " - filho, quando você brincar com ela de novo isso pode se repetir, porque ela ainda está aprendendo a se expressar, como você. E se ela tentar, não morda de volta, não Bata e não empurre. Segure a mãozinha dela, com carinho e diga que daquele jeito ela te machuca e machuca a brincadeira e isso é o pior de tudo, pois é bom brincar junto" .
Ele seguiu vendo os carros e sei que aquela fala foi mais para mim que para ele. Quando sugeri dar a mão para a amiguinha foi o jeito que eu encontrei de dar a minha mão para a mãe da amiguinha.
Sei que não é fácil ser a mãe do filho que bate, empurra ou morde. Quase nunca querem saber que você está arduamente intervindo naquela questão com seu filho. Querem que você tire seu filho do play. Querem afastar. E assim, se não vigiarmos, seguimos na vida.
No momento em que o outro mais precisa de suporte, de presença afetiva e de mãos para aprender, é a hora que a gente exclui, se afasta, julga e rotula. Essa é a nossa sociedade, não é outra.
Quando o outro se encontra fragilizado ou sem ferramentas para lidar com um problema na sua vida é a hora que queremos internar, medicalizar, marginalizar e culpabilizar. É assim que lidamos com o louco, com o menino que não aprende, com o pobre, com o viciado...
Mas não hoje. Hoje tentei ensinar a mais bela e difícil lição: quando alguém fizer algo que não foi legal, não se afaste. Dê a mão.
Não exclua. Acolha.
Não julgue. Se incline.
Não rotule. Ajude-o a ser um tanto de outras coisas.
Não revide. Reinvente uma outra forma possível de seguirem juntos sem machucar a brincadeira...
"- mas por quantas vezes, mamãe?" Quantas vezes for necessário...
E por aí? Tem mãe precisando de uma mão?🌸🌸
Arielle Nascimento
Psicologia Perinatal e Parental