Chis Cabelereiro

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31/10/2017

Em que medida é legitimo que procuremos no telemóvel do parceiro a certeza de uma dúvida que temos? Será o telemóvel, hoje, uma das principais ferramentas de sedução? E há mesmo assim tanta gente descuidada?

Conheço muita gente que diz que jamais seria capaz de consultar o telemóvel do parceiro. Como é óbvio, nenhuma delas esteve numa situação de verdadeiro desconforto, com a certeza de que o outro lhe estava a esconder alguma coisa, com comportamentos estranhos. Acho que há alturas na vida em que todos podemos cair nessa tentação, porque o desconforto da desconfiança é maior, porque precisamos da paz de saber, ou, pelo menos, de tentar saber, seja de que maneira for. E então fazemos o que achámos que jamais faríamos. Quase que aposto que todas as pessoas que foram ver o telemóvel da pessoa com quem vivem, por desconfiarem de algo, defendiam, antes de o fazerem, que isso era algo de condenável. Mas fizeram-no.

Claro que quem é “vítima” da desconfiança acha sempre que houve ali uma quebra de confiança. Destes casos que me foram contados por amigas houve mesmo os que viraram as coisas ao contrário, e, embora no telemóvel houvesse provas de que estavam a trair as mulheres, fizeram-se de vítima, e o grande drama passou a ser o facto de ela lhe ter invadido a privacidade. Sim, é verdade. Aconteceu mesmo. A verdade é que há mesmo uma total quebra de confiança de parte a parte: um porque traiu de facto, outro porque traiu a confiança invadindo a intimidade do outro. E depois disso dificilmente as coisas se endireitam.

difcil entender, ha veses que a "vitima" nao deixa por isso, e passa a apagar todas as mensagens que possam ser comprometedoras, com o intuito de parecer nada esta a acontecer, mas vezes ha que o parceiro tera visto essas mensagens e quando volta a ver o celular elas ja nao estao la o que levra a crer que ela tem feito vezes e vezes a mesma coisa.

O telemóvel é, hoje, sem qualquer dúvida, a maior das ferramentas de sedução – mais ainda do que o computador. Porque o telemóvel tem tudo, é tudo – mail pessoal, mail do trabalho, Facebook, sms, what’s app, BlackBerry Messenger, MSN, Twitter, tudo. Os Smartphones ligam-nos ao mundo, a todas as pessoas, a todos os amigos, ao amigos dos amigos, a todos os conhecidos, a todos os que nos querem conhecer. A triagem é complicada, a proximidade demasiado grande. Há cada vez mais Smartphones, cada vez mais gente em rede a toda a hora. Chegar a alguém – seja a quem for – demora 20 segundos, e depois é tudo fácil, caso haja interesse mútuo. E aqui reside o principal problema: a forma como alimentamos as coisas, como deixamos ir, como queremos seduzir e como achamos graça a ser seduzidos. Quase sempre as coisas começam de forma inocente – é a fase em que achamos que conseguiremos perfeitamente controlar as coisas. Mentira. Não conseguimos nada. Mas é só uma mensagem, só mais um mail, uma graça, um comentário no Facebook, uma partilha, e outro mail, e uma pequena conversa no chat, e quando damos por nós estamos envolvidos até ao pescoço, sem vontade nenhuma de sair – antes pelo contrário -, mas de ir mais além. Uma coisa é certa: se se procurar bem dificilmente não se encontrará no telemóvel de qualquer pessoa uma mensagem que pode ser comprometedora, qualquer coisa que mal explicada, até porque poderá faltar o contexto que justifique tudo. Mas isto é uma coisa, outras são as pessoas que deixam todas as pontas soltas, imensas trocas de conversas em mails ou sms, e em que se revela tudo. E isto é cada vez mais comum.

Gostava de ouvir mais opiniões sobre este assunto. Devemos ser fortes e contrariar a curiosidade, ainda que isso não nos traga a paz de podermos passar a saber, ou, se estamos mesmo desconfiados, ou com a certeza de que algo se passa, é legítimo que procuremos respostas no telemóvel do outro?

Já aconteceu com todos nós. De repente você tem uma ideia boa ou encontra uma solução para algo no trabalho, por exemplo...
29/10/2017

Já aconteceu com todos nós. De repente você tem uma ideia boa ou encontra uma solução para algo no trabalho, por exemplo, e alguém decide se apossar dessa ideia ou solução. É tarde demais para reclamar sua propriedade: já a roubaram e você se sente frustrado.

Por outro lado, se formos realistas, é possível que você tenha feito o mesmo com a ideia de outra pessoa. É totalmente normal que isso ocorra, mesmo que não pareça ser uma coisa certa ou justa.

Isto é, as ideias voam, são livres uma vez proclamadas em voz alta, e ficam expostas a qualquer mente. Na verdade, somos ruins na hora de recordar as fontes, mas somos bons em recordar as ideias.

No entanto, lembre-se sempre disso quando você sentir indignação por algo assim: podem roubar a sua ideia, mas nunca o seu talento e a sua inteligência.

Se você pensa que não tem nenhum talento, está errado: certamente há algo em que você pode explorar tudo o que tem dentro de si. Você só precisa buscar isso com vontade e depois trabalhar nele. Assim, surgirão ideias novas, criações pessoais, ou reflexões interessantes que as outras pessoas poderão tirar de você, mas nunca poderão conceber.

Ao contrário do que nos parece quando roubam a nossa, compartilhar uma ideia não é um plano tão ruim. É verdade que o plágio ou a cópia doem, mas a transmissão de conceitos de uma mente para a outra nos nutre como pessoas. No final das contas, é uma forma de difundir conhecimento.

De que nos serve ter ideias se não as podemos ver crescer? Para vê-las se tornarem realidade, precisamos impulsioná-las e dar-lhes vida até se converterem em outra coisa ou morrerem. Se elas são nossas, o justo é que saiam de nós, pois sua finalidade é, afinal das contas, se proliferar entre os demais. Não há nada de errado no fato de elas nascerem em nós, mas crescerem em outras pessoas.

De fato, ao longo da história, as gerações posteriores aproveitaram constantemente os conhecimentos e as ideias de gerações anteriores. Dessa forma, devemos as comodidades do nosso presente a aqueles que compartilharam a sua sabedoria e, assim, o seu talento conosco. Por esta razão, é benéfico respeitar uma ideia que tenha um companheiro, e que ao mesmo tempo ajudemos a desenvolvê-la sem lhe tirar o mérito que este merece.

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