01/09/2026
As férias não fizeram a PHDA desaparecer cá de casa.
Ela continuou aqui.
Na velocidade.
Na intensidade.
Nas emoções.
Na necessidade de movimento.
Nos dias mais fáceis e nos dias mais difíceis.
A diferença é que nós tentámos, ao máximo, aliviar tudo o que podíamos.
Deixámos de viver tão presos aos horários, às exigências, ao “tem de ser”, ao “agora”, ao “faz”.
Esquecemos, por uns tempos, a medicação.
Esquecemos a escola.
Esquecemos os relatórios.
Esquecemos as reuniões.
E deixámos a Luísinha ser apenas a Luísinha.
A nossa espalha brasas.
A viver os dias com a simplicidade dela.
A brincar.
A dançar.
A fazer rodas.
A abraçar.
A ser intensa sem ter de justificar a intensidade.
Também nós precisávamos disso.
Precisávamos de pousar, por uns tempos, aquele peso que carregámos durante tantos meses.
Não porque nos esquecemos da PHDA.
Muito menos porque deixámos de querer falar sobre ela.
Mas porque também uma família precisa de respirar.
Hoje é 1 de setembro.
E, só de escrever a data, alguma coisa muda cá dentro.
É tempo de voltar a organizar.
Preparar rotinas.
Pensar no próximo ano letivo.
Antecipar necessidades.
Voltar a pensar em escola.
E com tudo isso regressa também uma ansiedade que conhecemos demasiado bem.
As perguntas começam outra vez.
Será diferente?
Vão ouvi-la?
Vão vê-la?
Vamos conseguir trabalhar em conjunto?
Vamos voltar a ter de explicar aquilo que já explicámos tantas vezes?
Não sei.
O que sei é que estas férias nos lembraram de uma coisa importante:
a PHDA não desaparece quando fecha a escola.
Mas, quando retiramos parte da pressão, conseguimos voltar a ver a criança antes do diagnóstico.
E era disso que precisávamos.
De voltar a ver a Luísinha inteira.
Agora começamos outra vez.
Mas gostava muito que, desta vez, ela não tivesse de deixar partes de si à porta da escola para conseguir caber lá dentro. 💛