Alfaiate do Povo

Alfaiate do Povo Alfaiate histórico, dedicado à investigação, mapeamento e reprodução de indumentária civil e popular portuguesa.

O Alfaiate do Povo surge da vontade de Gil Raro em divulgar a investigação e salvaguarda das tecnologias têxteis associadas à produção da indumentária dita civil ou popular portuguesa dos séculos XVIII, XIX e XX. Da investigação pretende-se a publicação periódica quer em formato físico quer em formato digital de pequenas análises quer a um grupo de peças em específico, quer em relação ao seu estud

o comparativo. Da salvaguarda intenta-se a reprodução das mesmas peças utilizando as técnicas e materiais referentes às épocas supraditas. Não imiscuído da contemporaneidade, o Alfaiate pretende também trazer questões de sustentabilidade e expressão artística/escultórica aos trabalhos que venha a desenvolver quer enquanto prestador de serviços de alfaiataria quer como artista plástico/escultor que é. A sua modesta apresentação é baseada nas antigas publicidades de alfaiates que podemos encontrar em jornais nacionais do final do século XIX: "Alfaiate do Povo: confecção com esmero e perfeição ternos de paletot, calças, coletes, saias, blusas, capotes e gabões, ao gosto do freguês a preços módicos!"

O alfaiate é Gil Raro que actualmente está a tirar uma especialização em Alfaiataria, pela Modatex no Porto.

Algibeira “minhota”Para além da dita “vareira”, onde se releva a característica da “petrina”, modelos mais simplif**ados...
13/07/2026

Algibeira “minhota”

Para além da dita “vareira”, onde se releva a característica da “petrina”, modelos mais simplif**ados se encontram ao longo do país.

Nenhumas talvez com o ornato e o emprego de bordados e vidrilhos como acontece no Minho.

No mapa que o Alfaiate consegue traçar destes espécimes temos, de facto, uma preponderância para algibeiras de abertura central ou de sobreposição de “bolsos” como o caso destas - cujo referente na primeira imagem pertence ao Museu Municipal de História e Etnografia da Póvoa de Varzim -, muito usuais pela zona dita do “Baixo-Minho”.

Para as “vendilhoas” mais “empiriquitadas” o Alfaiate tem agora um sortido destas algibeiras, copia das antigas que encontra pelos acervos aí fora!

Alguma questão enviem mensagem!

Algibeira Vareira:Um indumento fundamental com bastante história. A partir de várias referências visuais e de artefactos...
13/07/2026

Algibeira Vareira:

Um indumento fundamental com bastante história.

A partir de várias referências visuais e de artefactos presentes em colecções públicas e privadas (como o caso da primeira imagem do acervo do Alfaiate do Povo) conseguiu-se a reprodução destas algibeiras do tipo “vareiro” muito costumadas nos meados do século XX.

A iconografia e alguns artefactos demonstram, no entanto, que as algibeiras de meados do século XIX aos inícios de XX, eram de maiores dimensões, excedendo, por vezes os 35c de comprimento e os 20 de largura.

Este modelo de 25cm de comp. por 13cm de alt. é o mais presente nas colecções, incluindo no Museu Nacional de Etnologia, dado pela sua utilização ainda nos anos 90 do século passado.

A sua construção é resultado do aproveitamento de materiais têxteis, nomeadamente gangas, agrins, cotins e fazendas, sendo as fitas o elemento fundamental para a decoração e “exotismo” do indumento.

Às freguesas mais exigentes que andam à venda têm agora aqui um complemento que se confunde com as algibeiras antigas dado os materiais cuidadosamente seleccionados e os métodos de produção!

Para mais informações enviem mensagem ao Alfaiate do Povo!

Corpete mestre: acabadoO corpete f**a então absorvido pela obra, não deixando por isso de ser um importante elemento dec...
01/07/2026

Corpete mestre: acabado

O corpete f**a então absorvido pela obra, não deixando por isso de ser um importante elemento decorativo e substancial para a durabilidade da restante obra.

Noutro dia falo-vos desta peça!

O corpo mestre: as frentes
01/07/2026

O corpo mestre: as frentes

Corpete mestre: parte 1O corpete mestre é indicado (…) como um dos primeiros essenciaes para (…) poder talhar com acerto...
01/07/2026

Corpete mestre: parte 1

O corpete mestre é indicado (…) como um dos primeiros essenciaes para (…) poder talhar com acerto e sem receio. O seu custo (…) é insignif**ante; e dura annos e annos. O material de que é composto é de tão pouco valor que qualquer senhora póde arriscar o desperdício de alguma peça na primeira tentativa, e fazel-a por si. O corpete mestre (…) é o que a fórma é para o sapateiro, com a differença que o corpete é a fórma pura e unicamente para a pessoa para quem é feito.

Um corpete mestre para uma senhora regular leva tres metros e meio a tres e tres quartos. O material de que é feito não deve ser de algodão, nem sarjado porque estende de mais. Brim ou cutim de linho, ou mesmo um panno de linho que não precisa de ser muito fino, são o melhor material que se póde empregar. É preciso tambem fazer acquisição de um molde bem feito (…).

Arranjado o molde e o panno, estende-se este pela mesa de talhar e pregam-se as diversas peças do molde com alfinetes (…). Collocado tudo devidamente passamos a talhar em redor de cada peça, seguindo á risca seus contornos, porém deixando uma crescença de um centimetro, ou um e meio, para virar para dentro. A margem da frente do quarto de diante deve ser collocada a cinco centimetros do ourello e este folga não se talha. As quatro pregas do busto tambem não são cortadas mas indicadas a lapis, assim como as pregas debaixo do braço [no caso da manga].

O corpete mestre: costasApós a prova, e estando bem estabelecido o corpete no corpo da freguêsa, passa-se à cópia e tran...
01/07/2026

O corpete mestre: costas

Após a prova, e estando bem estabelecido o corpete no corpo da freguêsa, passa-se à cópia e transposição do moldes ao figurino desejado.

Seguindo os modelos da época e escolhido o “feitio” passa-se para a costura final das costas com os quartos, chuleando e guarnecendo conforme necessário.

A “montada” ou primeira prova “em pano”Estando “tiradas” as marcas prossegue-se para a montagem, em alinhavo corrrido, d...
01/07/2026

A “montada” ou primeira prova “em pano”

Estando “tiradas” as marcas prossegue-se para a montagem, em alinhavo corrrido, das costas com os quartos e destes com a dianteira.

Seguindo as marcas monta-se a obra, deixando-a “em aberto” e por fim “fecha-se” nos ombros.

Posto isto, temos o corpete mestre para ir à prova no corpo.

“Tirar marcas”Um dos pontos fundamentais do trabalho de alfaiate e modista é a tradução do “risco” para a folha inferior...
01/07/2026

“Tirar marcas”

Um dos pontos fundamentais do trabalho de alfaiate e modista é a tradução do “risco” para a folha inferior do riscado.

Ora, por costume, as fazendas cortam-se dobradas pelo fêsto, com os avessos voltados ao oficial e, sobretudo, com as cautelas do “fio direito” e do “correr” dos tecidos.

Numa forma de optimizar e tomar como garantido o processo de cópia das faces da obra, risca-se apenas metade da obra, transferindo, através das marcas o desenho para a folha inferior da fazenda.

Estas marcas servirão como referência para a construção da peça, sendo que são colocadas em determinadas linhas ou pontos do traçado, evidenciando cortes, uniões ou linhas auxiliares.

Acervo iconográfico: nota aos fregueses.Na senda das gravuras identif**ativas será com esta câmara que o Alfaiate anunci...
30/06/2026

Acervo iconográfico: nota aos fregueses.

Na senda das gravuras identif**ativas será com esta câmara que o Alfaiate anunciará a publicação aqui de fotografias ou outras imagens do seu Acervo.

Estejam atentos!

Incorporações bibliográf**as Quando virdes esta gravura, estai atentos: é porque aumentou o acervo bibliográfico do Alfa...
30/06/2026

Incorporações bibliográf**as

Quando virdes esta gravura, estai atentos: é porque aumentou o acervo bibliográfico do Alfaiate do Povo e de seguida será partilhado com todos os fregueses!

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