Alfaiate do Povo

Alfaiate do Povo Alfaiate histórico, dedicado à investigação, mapeamento e reprodução de indumentária civil e popular portuguesa.

O Alfaiate do Povo surge da vontade de Gil Raro em divulgar a investigação e salvaguarda das tecnologias têxteis associadas à produção da indumentária dita civil ou popular portuguesa dos séculos XVIII, XIX e XX. Da investigação pretende-se a publicação periódica quer em formato físico quer em formato digital de pequenas análises quer a um grupo de peças em específico, quer em relação ao seu estud

o comparativo. Da salvaguarda intenta-se a reprodução das mesmas peças utilizando as técnicas e materiais referentes às épocas supraditas. Não imiscuído da contemporaneidade, o Alfaiate pretende também trazer questões de sustentabilidade e expressão artística/escultórica aos trabalhos que venha a desenvolver quer enquanto prestador de serviços de alfaiataria quer como artista plástico/escultor que é. A sua modesta apresentação é baseada nas antigas publicidades de alfaiates que podemos encontrar em jornais nacionais do final do século XIX: "Alfaiate do Povo: confecção com esmero e perfeição ternos de paletot, calças, coletes, saias, blusas, capotes e gabões, ao gosto do freguês a preços módicos!"

O alfaiate é Gil Raro que actualmente está a tirar uma especialização em Alfaiataria, pela Modatex no Porto.

Das alfaias da “muy nobre arte da alfaiateria” cinco são, indiscutivelmente, suas maiores representativas: a fita, a esc...
25/03/2026

Das alfaias da “muy nobre arte da alfaiateria” cinco são, indiscutivelmente, suas maiores representativas: a fita, a escala, o dedal, a tesoura e o ferro.

Se actualmente a tesoura é o símbolo que mais surge associado aos alfaiates, noutros tempos os demais símbolos a igualaram em importância e representatividade da classe.

A “obra” de alfaiate passa por várias fases e, noutros tempo, por uma estabelecida hierarquia de operários desde o aprendiz, o ajudante, o meio-oficial, o oficial, o contra-mestre e o mestre. Para além destas "categorias profisionais" existia a distinção por “obra”: o coleteiro, calceiro, casaqueiro ou oficial de paletó, o acabador, o passador, o cortador ou oficial de “mesa”.

Na realidade portuguesa - semelhante à tradição italiana e espanhola, ao contrário da inglesa e francesa - estas categorias estavam muito dissolvidas entre os operários, sobretudo nos ambientes mais rurais onde o alfaiate é quase exclusivamente da responsabilidade de um operário apenas ou do seu núcleo famíliar.

Mas retomemos o foco no ferro: das várias fases da obra de alfaiate três são as mais exigentes e que requerem maior patente: o risco e corte (também conhecido como feitio ou talhe), o trabalho de ferro e a prova.

Se no primeiro há que juntar o conhecimento de determinado sistema de corte à experiência obtida com a prova, apenas o trabalho de ferro se demonstra como conhecimento quase único que, aliado ao conhecimento da anatomia do corpo, se “manobra”, “estira” e “recolhe” o tecido numa sabedoria que ante coser, transforma a bidimensão em tridmensão.

Este conhecimento está muito associado à tradição da alfaiataria e ao conhecimento do material em uso, sendo que apenas utilizando água e conhecendo os princípios da teia e trama de determinado tecido se o recolhe ou se o estica, formando assim volumes que tornam o planar risco em moldes corporais.

A história do ferro na alfaiataria é algo complexa, ao que me tomarei sucinto pela mesma: são amplamente conhecidos ao longo dos séculos e com a industrialização do século XIX - quer das oficinas de alfaiate, quer das fundições de ferro - surgem os mais variados modelos e tamanhos, podendo ser de “assento”, “cunha”, “chaminé” ou “galo”, modernizando-se ao longo do séc. XX para os “de álcool”, a “petróleo” e eléctricos “de mica”, “reguláveis” e, por fim, a v***r.

Ao longo dos próximos dias o nosso alfaiate irá partilhando artefactos da sua colecção e outras imagens para a valorização desta arte e do símbolo que é o ferro, agora escolhido para identificar o Alfaiate do Povo.

Na imagem, notar a presença dos símbolos acima mencionados, a associação de classe dos alfaiates e costureiras "A Patriota" da Póvoa de Varzim, Porto (já existente em 1919), ca. 1940; col. particular da família da Alfaiataria Bento (Póvoa de Varzim)

25/03/2026

Nova imagem a caminho!

Arquivo Documental , Iconografia : Retrato (da família do Prof. Paiva, Fiães-Feira) tirado na Foto Beleza, que se situav...
02/12/2025

Arquivo Documental , Iconografia : Retrato (da família do Prof. Paiva, Fiães-Feira) tirado na Foto Beleza, que se situava na Rua de Santa Teresa, nr.º 18, Porto.

As fotografias de estúdio, nomeadamente os retratos individuais e familiares, são preciosos documentos para o estudo da indumentária regional e civil de determinada época.

Este retrato em específico, foi oferecido ao Alfaiate por uma familiar do Professor Paiva. Sabendo que a Foto Beleza é fundada em 1907, consideremos, à partida, que a fotografia é posterior a essa data.

Retrata bem as tipologias de indumentária duriense do final do século XIX. Porém, dados os elementos, o nosso Alfaiate propõe que possa ser anterior a 1907.

De reparar que a menina usa uma “coifa” de rede, muito vulgar nos idos 1880’s, peça que não é rara de encontrar nos burgueses rurais dessa época.

Arquivo Documental , Iconografia : Representação de costumes populares, fotografia tirana na casa Júlio Braga, no Porto,...
13/11/2025

Arquivo Documental , Iconografia : Representação de costumes populares, fotografia tirana na casa Júlio Braga, no Porto, situado na rua do Almada, nr.° 140.

A prova pertence ao álbum dos Viscondes de Guilhomil, Foz do Douro, padrinho e madrinha de baptismo da avó paterna do Alfaiate. Não sendo possível fazer qualquer relação com os restantes retratados.

É, garantidamente, um retrato que remete para a “lavradeira duriense” muito certamente tirado no último quartel do século XIX.

Dos documentos que compõem o acervo do Alfaiate do Povo, se incluem algumas fotografias de costumes, ou de família, que ...
13/11/2025

Dos documentos que compõem o acervo do Alfaiate do Povo, se incluem algumas fotografias de costumes, ou de família, que o nosso Alfaiate vai recolhendo aqui e ali.

Esta que se vos é mostrada, é uma delas.

Foi adquirida pelo Alfaiate e não dispõe de informação alguma. Tem aspecto e tipologia de prova fotográfica dos anos 30. Pela indumentária seguramente é de Gaia, dado a chapelinha de maçanetas que muito foi difundida sobretudo pelo Grupo de Gulpilhares.

E os fregueses!? Têm fotografias assim para mostrar?

Dos documento que compõem o acervo do Alfaiate do Povo, se incluem algumas fotografias de costumes ou de família que o n...
03/07/2025

Dos documento que compõem o acervo do Alfaiate do Povo, se incluem algumas fotografias de costumes ou de família que o nosso Alfaiate vai recolhendo aqui e ali.

Esta que se vos é mostrada, é uma delas.

Foi adquirida pelo Alfaiate e a única informação que se dispõe dela é o facto de ter vindo de uma casa de Leça do Balio. Tem aspecto de ser trabalho do E. Biel mas nada nos confirma. Pela indumentária utilizada é, seguramente, anterior ou da década de 1880.

E os fregueses!? Têm fotografias assim para mostrar?

Não recente, mas também até agora não mencionada incorporação na biblioteca do nosso Alfaiate  #7O “Tratado de Corte par...
26/05/2025

Não recente, mas também até agora não mencionada incorporação na biblioteca do nosso Alfaiate #7

O “Tratado de Corte para uso dos operários Alfaiates” de Joseph Schepens é certamente o primeiro manual, em português, que ensina como riscar todo o tipo de obra de homem, assim como algum de mulher.

Tem o alfaiate já uma primeira edição (de 1912), porém esta segunda surge-nos com uma particularidade: o Sr. Abel Augusto do Ameal nr. 82 introduz uma série de corrigendas e desenhos da moda que surgia nesse tempo e não constava no tratado, sendo a mais curiosa a calça “á maricana” ( à americana?) onde introduz o uso da prega, neste caso duas, elemento que ganha bastante difusão a partir dos anos 20.

Considera o nosso alfaiate, conforme lhe sugerem outros tratados, que seja este uma tradução do francês, porém sem garantias ainda.

Ao contrário de sistemas portugueses, que foram editados anos depois, este ainda não refere a designação da quada.

Não recente, mas também até agora não mencionada incorporação na biblioteca do nosso Alfaiate  #6O “Correio das Modas”, ...
23/05/2025

Não recente, mas também até agora não mencionada incorporação na biblioteca do nosso Alfaiate #6

O “Correio das Modas”, é uma das revistas mais antigas europeias de moda, actualidades e literatura para damas.

Com um vasto número de publicações, em especial esta nossa refere ao ano de 1841!

Um raro achado de relevado interesse para o estudo da moda em Portugal!

Recentes incorporações na biblioteca do nosso Alfaiate  #Outro já nosso conhecido, agora numa edição especial e completa...
23/05/2025

Recentes incorporações na biblioteca do nosso Alfaiate #

Outro já nosso conhecido, agora numa edição especial e completa:

“Método de corte, [pelo] sistema francês, por Louise Valmier, ca. 1925

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate  #3Este já presente nas nossas estantes e já estudado pelo alfaia...
23/05/2025

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate #3

Este já presente nas nossas estantes e já estudado pelo alfaiate, valoriza por ser um primeira edição!

Novo Método de Corte e maneira de qualquer senhora fazer por suas próprias mãos todos os seus vestuários. Por M.me Alice Guerre, 1891

Conforme já dito, esta edição resulta da tradução do Nouvelle méthode de coupe et manière de faire ses robes soi-même, que teve a sua 6.ª edição francesa em 1892.

Um livro com imensa profusão em Portugal resultado numa segunda edição portuguesa inalterada em conteúdo em 1909.

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate!  #2Méthode de Coupe et d’Assemblage pour robes de femmes; vêteme...
23/05/2025

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate! #2

Méthode de Coupe et d’Assemblage pour robes de femmes; vêtements d’enfants; trousseau et layette; par M.me G. Schéfer, 1882

A importância da literatura francesa nesta área de investigação assume-se preponderante a conhecer e reter pois ao longo dos últimos anos do século XIX apenas foram editadas traduções em Portugal, destes e outros métodos de corte. O mais famoso, que também faz parte da nossa biblioteca é o de Alice Guerre. Só no segundo quartel do século XX é que se inicia uma verdadeira escola de alfaiataria de com alfaiates portugueses, como será o caso da Maguidal.

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate!  #1Catálogo Geral dos Armazéns Grandella (novidades para o Inver...
23/05/2025

Recentes incorporações na Biblioteca do nosso Alfaiate! #1

Catálogo Geral dos Armazéns Grandella (novidades para o Inverno) de 1915/16 e 1916/17

Ainda com desdobráveis e destacáveis da época!

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